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Bebês dos Tempos Modernos


Jornal da Tarde - 23 de novembro de 1997

Imaculada Lopez, especial para o JT

Um centro na capital usa o estímulo corporal para aumentar a percepção dos bebês até os três anos.

Quando eu via as mães desprezando as vontades e descobertas de seus filhos, desrespeitando seus sentimentos e só cobrando, me prometia que não ia repetir essa postura quando chegasse minha vez.

Com esse pensamento, a advogada Edna Uip Pinheiro Pedro decidiu construir uma convivência diferente com suas filhas, já desde bebês. Para Edna, a criança precisa de atenção desde seus primeiros momentos. “O bebê tem uma curiosidade e vontade de aprender muito grande”, acredita. Mãe de duas meninas, Edna é contra deixar o bebê o dia inteiro no berço.

Os valores devem ser cultivados desde os primeiros meses de vida

A psicóloga Cinthia Galletti Bossi sentiu uma inquietação parecida quando chegou a hora de voltar trabalhar e ficar longe de sua pequena Giovana. “Fui visitar alguns berçários e fiquei incomodada ao perceber que a única preocupação era fazer com que os bebês comessem e dormissem. Era apenas isso que minha filha ia conhecer do mundo? Justo o começo da vida, que é tão importante, ia ser tão desperdiçado?”

De diferentes maneiras , mães e pais começam a olhar com novos olhos a primeira infância de seus filhos. Logo se preocupam em descobrir como despertar e valorizar as potencialidades dessa fase da vida. Às vezes, intuitivamente, vão experimentando uma nova postura dentro de casa. E , em paralelo, começam a encontrar o apoio de alguns profissionais que desenvolvem trabalhos inovadores.

É o caso, por exemplo, do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento que acaba de ser inaugurado em São Paulo, para crianças de sete meses a três anos. Seu principal projeto educativo, o Superbebê,  segue uma metodologia desenvolvida na Espanha. Por meio de exercícios e jogos pedagógicos, um conjunto variado de estímulos sensoriais é apresentado ao bebê. Sons, palavras, objetos e movimentos vão entrando no universo da criança por meio de uma seqüência de estímulos com duração, freqüência  e intensidade certas , baseadas em pesquisas neurológicas. Regularmente, os bebês ouvem alguns minutos de música clássica, passeiam pela casa com os nomes dos objetos sendo repetidos, vêem uma série de figuras com os nomes ditos em português e outras línguas, brincam com bolas e colchões.

“Nos três primeiros anos de vida ocorre 50% do desenvolvimento neurológico da pessoa”, comenta Julia Manglano, coordenadora do projeto. A idéia é aproveitar essa fase para criar o máximo de “ligações” entre os neurônios por meio de estímulos sensoriais. As “vias de entrada” são o olfato, a audição, o paladar, a visão e o tato. “Não é uma estimulação precoce”, garante Julia.

“É uma estimulação oportuna na hora certa. O processo natural de amadurecimento é respeitado”.
O programa, segundo a coordenadora, pode ser seguido por qualquer bebê, e o objetivo não é formar crianças superdotadas.

“Queremos crianças felizes, criativas e independentes”. Com os exercícios o bebê vai criando maior capacidade de observação, concentração, percepção e resolução de problemas.

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