sopa de letrinhasRevista Mãe – março 1999- n°61

Vale a pena alfabetizar crianças aos dois ou três anos? Como tudo em educação, o tema dá margem a inúmeros pontos de vista. Há que defenda a idéia  de que desde os primeiros meses o bebê deve entrar em contato com o mundo da letras. Outros consideram que somente entre seis e sete anos a criança está preparada para conhecer o abc. É fato consumado que quanto menos idade, maior a facilidade para aprender. A divergência é sobre os benefícios para a criança. Não existe uma resposta definitiva, mas há fatores que devem ser considerados, qualquer que seja sua opção: é preciso dar ao pequeno uma formação integral e protegê-lo de um amadurecimento prematuro.

Amor pelo Conhecimento

Na escla AeD em que é aplicado o Projeto Superbebê, a leitura é conseqüência do aumento da inteligência visual. “Até dois anos e meio, a mente é fotográfica. Por isso, quanto mais nova, mais facilmente a criança aprende a ler. Ela é como uma esponja. Nosso objetivo é desenvolver o gosto pela leitura e a curiosidade”, afirma a administradora Júlia Manglano, responsável pela implantação do método no Brasil.

Segundo ela, o fato de a criança começar a ser estimulada para aprender a ler com alguns meses não significa que haja queima de etapas em seu desenvolvimento natural. “Seria o mesmo que dizer: o bebê não está preparado para falar, então não se fala com ele. São os estímulos que provocam a maturidade neurológica. A criança só é atropelada se forem dados jogos inadequados para sua idade. Com estímulos corretos, lúdicos, como contar historinhas, fazer teatrinho e fantoche, ela não deixa de ser criança”.

Para que o aprendizado tenha êxito, não deve pular etapas. Um exemplo: bebês que não engatinham apresentam dificuldades na leitura.

Isso porque, ao engatinhar o pequeno olha alternadamente para a mãozinha e para frente a uma distância de uns 30 centímetros, a mesma dos olhos em relação a um livro. O desenvolvimento da inteligência visual acaba em leitura, mas não em escrita. Só a partir dos quatro anos é que a criança vai segurar o lápis.

Antes disso, há exercícios de pré-escrita como mexer em massinha ou enfiar canudinhos para treinar coordenação motora.

Líderes Independentes

Quais as vantagens? O que a criança ganha ao aprender a ler tão novinha? Concentração, assimilação, criatividade, rapidez e prazer em aprender. De acordo com Júlia, as crianças se tornam mais independentes, sociáveis, desenvolvem uma elevada auto-estima. Tornam-se líderes naturalmente, são capazes de desempenhar muitas atividades e, portanto, de participar de vários grupos bastante diferentes entre si. Saem na frente na resolução de problemas, pois tem facilidade de organizar dados e usar sua capacidade intelectual.

O be-a-bá no Superbebê

A ampliação da inteligência visual começa com o recém-nascido. Basta colocar um retângulo ou um círculo preto e branco à vista do bebê. A partir dos quatro meses, a figura geométrica diminui de tamanho. Nessa mesma época, a mãe começa a mostrar grandes cartões com palavras bem concretas, como mão, pé, nariz, boca e dente, agora na cor vermelha, a que mais chama a atenção dos pequenos. Isso é feito três vezes por dia, em sessôes curtíssimas: um segundo por cada palavra. Isso mesmo, cinco segundos é o tempo que um bebê consegue se concentrar em um objeto. Nessa primeira etapa, são apresentadas 400 palavras ao longo de um ano. Na segunda fase, são mostrados cartões com frases de duas palavras. A seguir, as frases aumentam e surgem os primeiros livrinhos.

A partir daí, a criança começa a brincar de formar sentenças. É simples saber que a criança já conhece determinada palavra. Quando ela não presta atenção no que é mostrado, é sinal que o termo lhe é familiar. Outra alternativa: espalhe várias palavras no chão, convide-a a pegar a banana, por exemplo, e observe se ela se dirige ao cartão correto.

Um ponto fundamental para o êxito é não forçar a criança, respeitar o seu momento. Se o bebê não quer olhar os cartões, não olha e pronto.

A criança também não deve  ser testada com questões do tipo: “O que está escrito aqui?” E nada de dizer: “Está errado”.

Seres Humanos Integrados

Se as opiniões diferem quanto à idade para iniciar a criança no universo da leitura, é ponto pacífico a necessidade de dar uma formação integral e não privilegiar somente o intelecto. “Nossa intenção não é formar pessoas como Mozart que desenvolveu apenas um aspecto. Nosso objetivo é criar seres humanos felizes que sejam bons social e intelectualmente, nos esportes e na música”, afirma Julia, do AeD.

Além disso, é preciso conhecer o temperamento de cada criança e saber o que é difícil e o que é fácil para cada um. “Jamais compare resultados. Valorize o esforço de seu filho para superar as dificuldades”.

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