Educar filhos não se aprendia na escola, embora bem poucos conhecessem a fórmula ideal. Agora já existem cursos para tal finalidade.

Revista Kalunga – Ano XXXVIII – N˚240 – Abr 11

A educação dos filhos é uma prática universal, um conhecimento empírico transmitido de geração a geração que não se aprende na escola, certo? Errado. Na esteira de programas, como o norte-americano “Supernanny”, cresce no mercado uma infinidade de cursos, palestras e consultorias especializadas sobre a melhor maneira de ser pai ou mãe. É o caso da Escola Aprendizagem e Desenvolvimento (A e D), especializada em estimulação e educação infantil para crianças do maternal ao pré, que utiliza metodologia aplicada nos Estados Unidos há mais de 30 anos. Há 12 anos no País, a instituição promove cursos para gestantes e mães/pais como o objetivo de ajudá-los a desenvolver as potencialidades dos filhos.

Divididos em dois módulos, um para gestantes e mães com bebês de até seis meses e outro avançado, para pais com crianças dos seis meses até seis anos. As atividades envolvem exercícios de estimulação das habilidades, da inteligência e bons hábitos. Ter um filho inteligente e equilibrado não depende apenas da sorte ou herança genética, na opinião de Júlia Manglano, diretora da A e D e pós-graduada em estimulação infantil. Além do amor e carinho os pais podem desenvolver novas potencialidades nos filhos por meio de estímulos adequados, afirma.

Os participantes desses cursos têm um objetivo comum: o de ajudar os filhos a serem felizes. A maioria deles relata dúvidas e dificuldades sobre como lidar com as crianças. Na maior parte dos casos, os participantes até chegam com bastante informação, porém, muitas contraditórias. “Procuramos esclarecer e dar um foco para que o participante consiga implementar”, relata a diretora. Em outro momento, os pais recebem assessoria de como aplicar os novos conhecimentos. Cada família tem suas peculiaridades e cada criança é única, por isso, ela diz que não existe uma fórmula. “Tratamos dos princípios. Cada pessoa os aplica de acordo com seu estilo.”

Estimulação

Na busca em acertar na educação dos filhos, alguns pais podem não só transmitir ansiedade para os pequenos como também esperar que as crianças sejam perfeitas. Essa expectativa não é incomum, conforme Júlia, mas eles, os pais, não devem pressionar ou passar essas expectativas para os filhos, pois afeta a naturalidade e pode até comprometer a autoestima e o prazer em aprender. A estimulação não tem os efeitos esperados quando há perda da naturalidade e cobrança; o amor deve preceder qualquer atividade, segundo a diretora. “A estimulação não é sinônimo de aceleração, ela se dá por meio das brincadeiras. A criança deve passar por todas as etapas. Por exemplo, do arrastar, do engatinhar, elas são importantes para o desenvolvimento neurológico. Os pais devem estar atentos ao interesse do filho.”

A interação com outros pais é outro aspecto positivo dos cursos. Por meio da troca de experiências, os participantes conseguem elucidar muitas dúvidas na prática de terceiros. Como é de se imaginar não são todas as mães que têm segurança de seu papel. Júlia ainda afirma que muitas são cobradas por não trabalharem. Afinal, hoje, não tem status ser mãe profissional. Após o curso elas percebem a importância desse trabalho. Ficam mais seguras e descobrem a importância da dedicação, uma vez que são insubstituíveis nessa fase.

Insegurança

Para a educadora Neide de Aquino Noffs, coordenadora do curso Psicopedagogia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), não são todas as propostas de formação que efetivamente podem garantir resposta. Na opinião dela, são válidos os cursos que objetivam ir além do papel dos pais como cuidadores. “É importante as pessoas reverem o papel de homem e mulher que se tornaram pai e mãe frente à cultura atual. Muitos estão perdidos. Reflexo disso são as separações.”

Segundo Neide, o problema da nossa cultura não é a ausência de informação, mas as dificuldades de formação. Como aprender a andar de bicicleta, requer uma bicicleta, ser pai e mãe requer, além do bebê, prática. “Não existe uma receita ou fórmula. Ao educar um filho a pessoa deve usar os princípios e valores que armazenou ao longo de sua vida.” A ideia de que é possível obter conhecimento por meio de um curso pode gerar insegurança e comprometer a naturalidade da prática. É saudável a pessoa fazer aquilo que acredita deva ser feito, ou seja, agir com naturalidade.

Embora muitos se apoiem na justificativa de que hoje é mais difícil criar um filho, a psicopedagoga destaca que essa dificuldade é fruto da modernidade. A mesma modernidade que traz no seu bojo a possibilidade de conflito. “Ela exige muita tomada de decisão. Hoje, o ser humano está confuso em saber qual é a melhor coisa a fazer. Não existe bola de cristal. O que existe é afeto, aceitação e cuidado com o filho. Independentemente de qualquer problema, esta é a melhor fórmula para criar as crianças”, conclui. (M.A.)

Fale conosco

Escreva aqui sua mensagem que responderemos o mais breve possível. Obrigado!

Digite aqui sua busca