estimulo a maisRevista Meu Nenê- Dezembro 2006- Ano 9- N° 104

Todos os pais desejam que seu filho se destaque em alguma área da vida. E saiba que você pode dar um empurrãozinho para estimular o desenvolvimento motor e neurológico do pimpolho. Segundo um estudo do The Institute for the Achievement of Human Potential, da Philadelphia (EUA), até os três  anos o cérebro da criança desenvolve 60% das conexões neurológicas e a conclusão é de quanto mais estímulos o ambiente oferecer às crianças, mais sinapses (conexões cerebrais) se formarão, tornando-as mais inteligentes.

As atividades, no entanto, devem ser feitas de maneira lúdica para não estressar a criança. “Os pais não devem esquecer que o bebê precisa brincar e isso é uma das coisas que mais o ajuda a ultrapassar etapas”, alerta a psicopedagoga paulista Betina Serson.

A especialista em estimulação infantil, Julia Manglano, de São Paulo, diz que o potencial de inteligência de um nenê é maior do que qualquer gênio já utilizou, e o possibilita desenvolver habilidades independentemente do que foi passado pela genética. Veja a seguir como se desenvolvem os sentidos e a habilidade do seu bebê e o que fazer para ajudá-lo a ficar mais inteligente.

A Visão

Este é o sentido que influencia no desenvolvimento neurológico pois é responsável por emitir a maior parte dos estímulos ao cérebro. “A visão capta 60% das informações do ambiente”, afirma Julia. Portanto, quanto mais estímulos visuais, maior será sua capacidade de aprendizado.

Inicialmente a visão de um recém-nascido limita-se a enxergar sombras. Com o passar das semanas, ele passa a localizar objetos a 20 centímetros de distância de seus olhinhos, como o rosto da mãe na amamentação. Entre o terceiro e quarto mês de idade, o pequeno já percebe detalhes.

Como estimular: Brinque com o recém-nascido, aproximando seu rosto do dele e fazendo expressões diferentes. Converse com ele enquanto isso. Outras dicas são apresentar figuras geométricas preto e branca ou brinquedos com cores constrastantes e colocar um móbile próximo do berço com o cuidado de trocar sua posição regularmente. A partir de 6 meses, Julia Manglano indica mostrar imagens ou fotos de obras de arte que tenham qualidade. “Elas são a melhor forma de apresentar boas referências estéticas e de combinação de cores, despertando, seu interesse no mundo das artes”, afirma. A mãe pode começar apresentando uma imagem ou foto de dez quadros diferentes de um mesmo pintor e mostrá-los três vezes ao dia, por cinco dias. Na semana seguinte deve-se trocar por novas imagens. Segundo Luiz Celso Vilanova, do setor de neurologia infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com um ano a capacidade de visão da criança já é próxima de um adulto.

Então, coloque programas próprios a idade para ela assitir e conte histórias para aproximá-la da leitura.

Reconhecimento do Espaço

Para que esta parte motora se desenvolva de forma saudável, Luiz Celso sugere dar oportunidade à criança de ficar no chão “Isso faz com ela adquira equilíbrio e força necessários para andar”, explica. O tônus cervical é o primeiro a se desenvolver, e o permite levantar a cabeça quando colocado de bruços.

Até o final do sexto mês, ele começa a sentar com o apoio de almofadas. “A musculatura do tórax, abdome e ao lado da coluna se fortalecem, possibilitando que ele se mantenha sentado sem apoio ao final do nono mês de vida”, detalha o médico. O passo seguinte são pequenos impulsos para frente que o deixará na posição certa para engatinhar. Ele lembra, no entanto, que cerca de 15% das crianças pulam essa fase sem prejuízos. Com um ano, o equilíbrio e a força estão mais evoluídos e o faz tentar os primeiros passos apoiando-se nos móveis, depois com o auxílio dos pais, até conseguir fazer sozinho. Correr é uma conseqüência do processo de andar e que muitas vezes o ajuda a conseguir equilíbrio. Mas pular será possível após um ano e meio, quando o equilíbrio já está desenvolvido.

Como estimular: Coloque-o no chão diariamente. Enquanto ele somente senta, deixe-o rodeado por almofadas e , quando ele estiver firme, coloque brinquedos para ele tentar buscar. Julia diz que os exercícios motores alavancam a inteligência das crianças. “O bebê precisa coordenar movimentos, equilíbrio e informações visuais que juntos formam uma avalanche de estímulos que levam a formação das conexões cerebrais”,coloca. Daí a importância de dar oportunidades para os bebês se arrastarem, mais tarde engatinharem e, por fim, andarem e correrem para também estimular o desenvolvimento do órgão responsavel pelo equilíbrio: o vestíbulo (ou labirinto), que fica no ouvido e é muito evoluído nos ginastas, trapezistas e equilibristas. Para ajudá-lo a andar com firmeza, o neurologista indica os andadores que possibilitam à criança empurrá-lo. Por volta de uma ano e três meses, quando a criança anda sozinha, coloque um colchão no chão e faça-a brincar de rolar, engatinhar e dar cambalhotas, para ela ter idéia do seu corpo em várias posições.

A linguagem

Depois da fase que o bebê limita-se a se comunicar com choro e sorrisos, ele começa a balbuciar. “Isso acontece em torno do sexto mês, quando, ele emite sons aleatórios como uma brincadeira, que é uma intenção de comunicação”, explica Débora Maria Befi Lopes, presidente do departamento de linguagem da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia de São Paulo. Com um ano, o pequeno já produz as primeiras palavras com significados, porém com sons parecidos como “mama” para mamãe, “aua” para água, e por aí vai. O processo de desenvolvimento da fala é contínuo a partir daí. “Com um ano o vocabulário é de 10 palavras e, aos dois, é mais de 100”, dis Débora. Então, ela tem oportunidade de unir duas palavras na tentativa de formar uma frase e busca cada vez mais acertar o padrão correto de sons. Aos três anos, consegue formar frases gramaticais, com sujeito, ações e objeto.

Como esimular: A inteligência auditiva é responsável pelo desenvolvimento da fala. E para que isso aconteça da melhor forma, a criança precisa ouvir. Neste caso, converse bastante com ela, falando corretamente. “O ideal é que os pais contextualizem a conversa nomeando os objetos  e descrevendo ações”, explica Débora. Mudar a entonação das frases também é um ótimo estímulo. Julia indica ainda colocar música para desenvolver a audição, sendo que a melodia não precisa ser simplificada. “Com arranjos clássicos complexos o resultado será melhor e pode despertá-la para a área musical e até ser capaz de compor melodias com facilidade”, indica. Ela faz um alerta sobre oferecer brinquedos desafinados, como a maior parte dos piratas. “Elas precisam de uma boa referência para desenvolver a audição”.

Raciocínio Lógico

Antes mesmo de entrar na escolinha, os pais podem apresentar o mundo dos números aos pequenos,indicando, por exemplo, a quantidade de laranjas que estão na cesta da cozinha ou disponibilizando brinquedos que trazem a proposta. Além de estimular o raciocínio lógico, essas atividades exercitam o poder de tomadas de decisão. “Ela começa a fazer associações e deduções que ajudam na resolução de problemas”, defende Julia.

Como estimular: Brinquedos do tipo de blocos lógicos, jogos de encaixe de figuras e formatos diferentes são ótimos para o raciocínio. Assim como fazer receitas com quantidades corretas de ingredientes, contar os degraus de uma escada, medir o peso dos limões e calcular o troco da compra. Quando a criança tiver por volta de dois anos, os pais podem fazer brincadeiras com perguntas como: O que mais tem neste desenho, árvores ou folhas? Ou apresentar situações que exigem raciocínio: Hoje três pessoas virão jantar com a gente. Quantos pratos temos que colocar na mesa?

Ás da matemática

Ensinar quantidades e até contas para um bebê pode parecer algo exagerado. Mas, para a especialista em estimulação infantil Julia Manglano, essa é uma linguagem que eles aprendem com grande facilidade. “É mais fácil ensinar matemática para uma criança de dois anos do que para uma de cinco, pois ela está em uma fase na qual tem interesse em conhecer tudo”, esclarece Julia. Ela ensina que, para isso, basta passar os fatos de maneira concreta, ou seja, mostrar as quantidades em cartazes ou também com objetos. Com uma criança de seis meses, por exemplo, os pais podem mostrar na primeira semana cinco cartazes, com um a cinco elementos apresentando-os três vezes por dia de forma alternada. Na semana seguinte, evolua os cartazes para desenhos com seis a dez elementos e faça a mesma coisa nas semanas que procederem até chegar 50 elementos.

“Ela entenderá matemática de uma forma visual e estimulará o lado direito do cérebro, que geralmente não é trabalhado com esta disciplina”, diz. Esse tipo de atividade também ajuda a criança a desenvolver a visão necessária na montagem de quebra-cabeça.

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